sábado, julho 14, 2007

À+CERCA DO AMOR (2º)

Conta uma lenda indígena que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda de um velho feiticeiro da tribo e pediram:
- Nós nos amamos e queremos ficar juntos. Amamo-nos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho, emocionado, ao vê-los tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há, há algo que podeis fazer: Nuvem Azul deves, apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e traze-lo aqui, com vida. E tu, Touro Bravo, deves caçar, também, apenas com uma rede, a mais brava de todas as águias e trazê-la para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura e logo partiram para cumprir a missão.E o feiticeiro postou-se na frente da tenda para esperar os dois amantes com as aves.O velho constactou que eram realmente os formosos exemplares que lhes havia pedido e ordenou:
- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Soltem-nas amarradas para que voem livres.
Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno.Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de voar, as aves se atiraram-se uma contra a outra, bicando-se até se magoarem.
E o velho disse:
- Jamais esqueçam o que estão vendo, este é o meu conselho.

sexta-feira, julho 13, 2007

Duas Janelas Nocturnas



"Eu me pergunto: se eu olhar a escuridão com uma lente,
verei mais que a escuridão?"
- in, A Paixão Segundo G.H. de Clarisse Lispector)

AS APARENTES LEIS DA DESORDEM

paisagens e mais paisagens e eu entro e saio com a cabeça iluminada pela leveza por onde muito vivo. Altura, largura e comprimento, eis as 3 linhas, onde me puseram a respirar.
Mas - eu voo. E nestes voos há estrelas domesticadas pelas almas de quem é pouco. Tudo se passa em silêncio, porque os homens ainda são demasiado barulhentos e afugentam o que é grande.
(2007)

quinta-feira, julho 12, 2007

"A Fenda Erótica"


QUERO-COMER-TE


O que eu queria era comer-te. E, ao comer-te sentir o gemido mais profundo do teu ser, no fundo atento do meu silêncio e assim puder saber quem somos.
Depois, Sentir se o teu Universo é junto ao meu, ou se ambos nos encontrámos por um acaso cúmplice que ainda anda longe de nós.
(Gaia-Algures baila a letra "M."13-07-2007)

quarta-feira, julho 11, 2007

Uma Sombra Sobre a Rosa


(Julho-2007)

A+CERCA DO AMOR

(fragmento)
e andamos nós e elas e eles à procura de um amor especial, que os salve do inferno legalizado e sem-norte dos dias que correm, como se tal fosse assim possivel.
Todo este desejo, toda esta busca vive , nasce e volta a renascer de um nevoeiro espesso e branco. Encontra os outros, como estátuas inesperadas, que no fim de contas, procuram o mesmo.
Ás vezes, tocam-se, mas trocam-se de um modo tão urgente, cruzam e entrecruzam laços & abraços & números de telemóveis, mas tudo são gestos esfumados, feitos da pressa miudinha que a solidão vazia gera e não há tempo para se instalarem no interior dos corpos que os armou.
E, "armar" um facto, nada tem haver com viver um acto de amor .
De um lado há o vermelho e do outro, o cor-de-laranja, quando nos lembramos com nitidez, das laranjas bem maduras penduradas nas verdes nuvens das folhagens das suas árvores, e já agora, quando depois levantamos os olhos para um céu azul-espelho de um mar evidentemente transparente.
Quero eu dizer: só podemos encontrar um amor, quando saímos pelo mundo, muito+ frágeis muito + fortes, bem ligados à nossa voz mais íntima, porque o seu eco para os outros, já anda por fora de nós.
(texto espontâneo,2ª versão, a ser etecetera. 12-07-2007)

Coisas Simples


JÁ - NÃO - TOU - NESSA - POR- AÍ - NÃO - VOU - E - PONTO - FINAL


Se me apetecesse, apresentava-me como uma vítima do Mundo, um ser à parte cheio de boas intenções, com 1 coração de ouro de elevados kilates e muito consciente das minhas irrefutáveis razões acerca do que deve ser ou não deve ser a Vida. Mas.
Não me apetece nenhuma pose, nenhum troco, nenhum aplauso, nenhum negócio. Eu cá ando, distraído para os lados onde deus se vai revelando sem parar. Nada de transcendente, caros amigos, nada de voos vertivais onde o espírito se desapega do corpo e depois , a certa altura, já não sabemos nada.
Refiro-me às coisas + simples dos dias. Exemplos? São tãotantos e a melhor literatura fala deles como cachos de uvas num bom ano de colheita.
deus está sempre em todos os lugares e em todos os momentos. Basta estarmos atentos aos seus pormenores, aos nossos gestos dentro e fora dos seus, basta estarmos inteiros para todos os lados abertos.
Não estou nessa de impingir mais uma solução. Falo de mim, porque é assim que a gente é. Como quem quer partilhar os seus pequenos sinais na passagem por este mundo. Como quem, procura as respostas que nunca terei. Como quem se espanta, em cada instante, pelo facto de haver Vida , e de nós estarmos precisamente aqui!, mais ou menos acordados, dentro desta Vida, e nada sabermos da imensa noite profunda que nos ilumina.
(texto imediato-12-07-2007)

terça-feira, julho 10, 2007

A Viagem


QUASE SOU FELIZ ENTRE

É Julho é Verão quase sou feliz entre as cores acesas das cerejas e as palmas das mãos tingidas de sinais.
Penso como durmo, é um outro sono no meio do tempo mais vagaroso e às vezes há a palavra "memória" ou a palavra "felicidade" ou outra palavra qualquer cheia de saídas e no fim do dia, ainda dou comigo pelo cais a olhar os barcos que vão e vêm sobre as águas distraídas do rio.


(V. N. Gaia-7/7/07)

segunda-feira, julho 09, 2007

Entre a História & o Vazio: O Nevoeiro à Beira Mar


(Foto de J.A.M.-Algures na Costa Atlântica)

NÃO GOSTO NADA DE CITAÇÕES

Eu não gosto nada de citações, mas hoje apeteceu-me gostar. Foi ao re+ler o "PORTUGAL HOJE, Medo de Existir", de José Gil

"(...) Uma diplomata francesa que tinha vivido longos anos na China e, mais tarde, em Portugal, dizia que os portugueses eram "os chineses do Ocidente". E explicava: os chineses nunca vão directamente ao assunto, dão voltas e mais voltas antes de lá chegar e sempre em termos velados. Os portugueses fazem o mesmo: aproximam-se indirectamente, percorrem espirais, caminhos ínvios e barrocos até abordar claramente a questão.Tanta precaução indicia uma recusa de enfrentamento.(...) Debaixo da precaução, da cautela, da desconfiança, habita o medo.(...) "
"(in, "Portugal Hoje, Medo de Existir"- Editora Relógio de Água-2005. A palavra medo, em negrito, foi colocada pelo autor deste Blog.)
V. N. Gaia-09/07/2007

sábado, julho 07, 2007

APETECE-ME-TAR-COMO-ESTE-GAJO


(Galicia-Junho.2007)

Secção : Os GRITOs (5º)

COME & CALA-TE
"Represálias sobre os trabalhadores grevistas; instauração de um processo ao professor que fez uma piada sobre o curso de josé Sócrates; demissão da Directora de um Centro de Saúde por causa de um cartaz "jocoso"; nomeação em catadupa de militantes do PS para cargos na sub-região de saúde de Braga; perseguição a funcionários públicos acusados de "bufos"; manifestantes anti-sócrates processados; uma Secretária de Estado que diz que criticar o Governo só em casa e no café. A oposição acusou o Governo de não respeitar as regras democráticas e de derivar para o puro autoritarismo.João Semedo, deputado do BE, foi peremptório: «Para o PS, a administração pública, os serviços públicos, dirigem-se, orientam-se e comandam-se como um gigantesco exército em tempo de guerra, movido a uma só voz, em que fala o de cima e cala o de baixo, à velha maneira da boa disciplina e do muito respeitinho que quem manda aqui somos nós.»"
(Jornal Esquerda, on-line. 5-Julho de 2007)

O que há a dizer? MUITAS COISAS!
Hoje, adoptando uma pose mais distanciada, pergunto:
Como modificarmos a ordem social vigente sem modificarmos antes antes a cultura, de que é uma emanação?

quarta-feira, julho 04, 2007

Secção: Os GRITOs (4)


"Fisco deixou escapar 500 milhões de euros em dívidas - A prescrição de dívidas fiscais atingiu, no ano passado, mais de 500 milhões de euros, de acordo com a Conta Geral do Estado de 2006, entregue pelo Ministério das Finanças à Assembleia da República. Trata-se de uma verba que já não será recuperada, uma vez que o direito a recebê-la já caducou, mas o Governo alega que tal não terá impacto nas contas públicas(...)"
(Jornal de Noticias,3 de Julho-2007. Letras em negrito, feito pelo autor do Blog)
Pergunta-se:Não era nesta zona que havia um SR. Excelente a gerir a máquina fiscal, e que ganhava num só ano, mais do que muitos portugueses ganham em 10 ou 20 ou 30 anos e até era pago com os impostos destes mesmos portugueses?
E quanto ao "impacto" da coisa, a gente entende clara+escuramente,não é?

terça-feira, julho 03, 2007

Madama de Silgar

(Galicia. Junho - 2007. Foto de J.A.M.)

segunda-feira, julho 02, 2007

DEIXEM-ME PASSAR, QUE EU NÃO ESTOU NESSA

estivemos quase a queimarmo-nos, quase, os 2 corpos unidos por um laço de chamas e o grito que saiu do meio da noite. 1 grito que fustigou um véu de estrelas que se afastou dos olhares.
Eu caminhava na solidão dos meus sinais e ela, também. Encontrámo-nos numa ilha sem nome e aconteceu. Ambos sabiamos que deus é um ser onde nos perdemos para sempre e nunca haverá regresso. Por desamor às circunstãncias. Mas. Naquele momento eramos atentos e a luz da manhã começava nos nossos rostos. Foi 1 beijo, só um beijo de quem se encontra, cheio de vida e no meio de um caminho qualquer.
(Junho-2007)

quarta-feira, junho 27, 2007

A Questão

A questão não é mudar o mundo.
A questão é mudar a percepção do mundo.


(Daterra)

segunda-feira, junho 25, 2007

A Pastora

( Pelas bandas de Castro Laboreiro. Junho-2007)

São seres que se apagam em silencio, vestidas de escuridão entre as pedras de granito onde se sentam e a vastidão do céu para onde largam as recordações de uma vida.

À volta, as poucas ovelhas colhem ainda da terra a seiva verde das ervas. Por perto, o cão castro laboreiro, faz um círculo com os olhos e instala-se descansado.



REGRESSO ÀS PAISAGENS


(Castelo de Castro Laboreiro. Junho-2007)

sábado, junho 23, 2007

Secção: Os GRITOs (2)

Telecomunicações 2007-06-22 17:17
"AG da PT aprova a nomeação de dois novos administradores para a Assembleia Geral da Portugal Telecom (PT) reunida hoje aprovou, entre outros pontos, a nomeação de dois novos membros (Rafael Luís Mora Funes e José Guilherme Xavier de Basto) para a composição do Conselho de Administração, que passa assim a ser composto por 23 membros."
Só 23?...
P.S. O imposto mensal dos telefones fixos da PT, ainda existe?

Secção: Os GRITOs (3 b)


MAIS DO MESMO
Devido a um erro, Ministério anula uma pergunta da prova de Física e Química 22.06.2007 - 16h46.
Lusa.
"O Ministério da Educação anulou uma pergunta do exame nacional de Física e Química A do ensino secundário devido à existência de um erro.Em causa está a prova de Física e Química A–715, no item 4.2.1. Na alínea D da versão 1 e na alínea B da versão 2, a figura apresenta "uma incorrecção que inviabiliza a concretização de uma resposta correcta", segundo um comunicado da tutela.Para não prejudicar os alunos na classificação final da prova, o ministério decidiu que a nota de cada um dos estudantes que realizou o exame será multiplicada por 1,0417.Ou seja, no caso de um aluno ter 12 valores na prova, por exemplo, a sua nota final no exame será de 12,5, o que corresponde a 13 valores.
Ana Rego, da Sociedade Portuguesa de Química, congratulou-se com a decisão tomada pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), salientando a rapidez no processo."(...)
E, Até houve CONGRATULAÇÕES, e Tudo! Estão todos de Parabéns!..

quarta-feira, junho 20, 2007

O Barco Nocturno

(Rio Preguiças.Estado do Maranhão. Brasil)

(da SECÇÃO: Os GRITOs)

(20 de Junho de 2007)

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(Apelo)
Há notícias no nosso jardinzinho, que apesar de já contarmos com elas - infelizmente-, ainda me provocam um estranhíssiiiiimo incómodo. É o caso.
Se ainda não destruiram de todo, nas Pessoas deste País,aquele sentimento saudável e humano que se designava por solidariedade, eis aqui uma forte razão para o demonstrarmos.
Principalmente, a nós próprios e a quem nos divide mais, para mais reinar.
P.S. Visitem o Blog do nosso colega!



domingo, junho 17, 2007

Relógio de Sol


(Obra de artesão. Algures numa povoação sem nome. Minho)

TEORIA DO GRANITO

É uma pedra fechada calada em torno de si. Com 1 ser centrado em três visões. É um laço de cinza com o peso dos horizontes anunciarem a chuva. E a água passa por cima. Em camadas leves como os lençóis no Verão sobre os corpos sonolentos. Leves, leves como os sonhos que voam e abrem as manhãs do esquecimento.
É por dentro da pedra que a memória se funda e aprofunda o tempo das gerações barrocas, os gestos rendilhados do espírito de um povo.
(Porto-Junho-2007)

terça-feira, junho 12, 2007

Melgaço e o resto é Paisagem

(Paisagem em Castro Laboreiro-Junho-2007)

Ainda o meu retiro pelas bandas de Castro Laboreiro. Fiz vários passeios a pé, claro, vi pontes romanas, até uma ponte "celta", vários objectos bem históricos, ali parados há muito tempo. Atravesssei várias aldeias, onde não existia uma placa qualquer com o respectivo nome, e depois dois ou três seres humanos, geralmente mulheres de olhos claros e roupagem negra, ao lado de uma ou outra vaca ou meia dúzia de ovelhas e eu olhava para estes seres e não tinha a certeza se eram deste Mundo.

Claro que as paisagens tiravam-me quaisquer dúvidas.


terça-feira, junho 05, 2007

A Caminho da Praia de Calhetas


(Agosto-2005)

JÁ FUI AO PARAÍSO

JÁ FUI AO PARAÍSO

Há coisas do diabo. Já fui ao paraíso.
E voltei. Estava já quase acordado na cama do meu quarto no Hotel Europa, quando a Ana e a Joyce abriram a porta em leque cheias de sorrisos palpitantes e floridos e me convidaram para dar um passeio pelas franjas de Gaibu. Lá me levantei um tanto ou quanto aturdido pela ressaca da caipirinha da noite anterior, mas depois de beber 2 cocos frescos e verdes, vesti a T-shirt de sempre e os calções de ganga e lá fomos, que nem 1 trio harmonia pelo dia adiante. Passámos pela linda praia de Calhetas, onde vi ondas debruçadas sobre a própria morte, espuma e espuma e mais espuma, depois de serem verde-esmeralda e azul-turquesa, e também vi uma foto do jovem Eusébio no bar lá do sítio, ao lado de N ilustres que por ali tinham po(u)sado algures, ao longo dos seus destinos. Depois, continuámos a caminhar por entre árvores, plantas e cores de vários tamanhos e aromas, até que, a incerta altura, num morro inesperado e cheio de azul muito azul do céu, vi uma tabuleta tosca de madeira com a palavra: PARAÍSO. As minhas companheiras apanharam o meu ar aparvalhado e eu apanhei-as a sorrirem apenas cúmplices. O que é que havia a dizer?
Lá descemos entretidos com os pés de cada um, a saltarem de pedra em pedra, até desembocarmos numa espécie de praia com a água muitomasmuito transparente e a areia quase prateada pelo pôr-do-sol que se diluía até ao esquecimento. Sentámo-nos a olhar e a escutar o mundo através daquele ponto de vista, dentro do ponto de vista de cada um e os três juntos com as 6 vistas desarmadas, despidas, deliradas. Já não sei, e pouco me importa, o tempo (o tempo?) que poisámos ali, a respirar aquele lugar tão belo e simples irrealmente em tudo. Lembro-me vagamente que as palavras eram coisas a mais. E a ninguém lhe passou pela cabeça falar de tal assunto.
Quando regressámos a Gaibu, numa camioneta que ainda circulava, já lá estava instalada uma noite claramente aberta à nossa festa.
(última versão deste texto-Maio-2007)

sexta-feira, maio 25, 2007

VALHA-ME NOSSA SR.ª de FÁTIMA

(Performance do artista José Alberto Mar. XIII Bienal Internacional de V. N. Cerveira.2005)




"Vivo num país, cada vez mais, irrrrrrrrrrrrrespirável".

(25 de Maio de 2007)



domingo, maio 20, 2007

A Ponte


(Desenho. Ténica-Mista)

TRÍPTICO ÀS IMAGENS NUAS


1-Por vezes, alguém põe um dedo na ferida. Quero dizer:alguém acorda a sombra geral dos seus nomes e os nomes mergulham nos ritmos do sangue e logo as mãos crescem para os lugares e os lugares crescem com elas e tudo fica mais alto.Há quem passe, olhe de lado e continue a sua vida. Outros há que passam e se detêm por um pormenor mais chamativo.
2-Claro que todos os lados, todos os nomes são pretextos.E os lugares também. Nascemos e morremos por uma graça indomável perdida no tempo. Andamos às voltas disto tudo enquanto por dentro acordam e adormecem as sementes povoadas pelos estranhos frutos de uma sede sem fim.
3-Vozes e imagens que cantam a vida e o exemplo dos milhares de sóis mesmo sabendo-se que para outros olhares, há um abismo memorial nas cabeças uma outra idade outra boca menos cercada pelos dons dos dias, na transformação dos corpos.
(in, "A Primeira Imagem".1998)

sábado, maio 19, 2007

A Louca Dança dos Quadrados (Nº x1)


AS MÃOS GÓTICAS (Nº5)

Quem poderá receber de um rosto
os segredos que o seu próprio não tem?

Voltamos sempre ao lugar da primeira casa
desses limites de paredes erguidas para os olhos
para que o sono e o silêncio
toquem na beleza o seu mistério.

(in,AS MÃOS E AS MARGENS". Editora Limiar.1991)

quinta-feira, abril 26, 2007

33




FORA DO COMPASSO

Dias abundantes na boca
pelos segredos das mãos
ao rebentarem magnéticas
os nomes à-volta.
Inspira-as a cegueira de uma luz
sem fim, como que vencida
pela eterndade.
Não é carne nem é memória
esta respiração. Por ela vivemos
pendurados na pergunta
que respira pelos orifícios da pele
que sorve as queimaduras dos astros.
Talvez só os deuses conheçam a intenção da água
dentro dos corpos. A água fechada
ao fazer um nó às portas dos olhos.
Estrela ou paisagem, quanta claridade
em redor dos dedos a mexerem dentro
as oficinas da terra
os lugares abraçados pelo tacto da fala.

-in, "AS MÃOS E AS MARGENS".Editora limiar,1991-
(Visões Retrospectivas)

quinta-feira, abril 05, 2007

(Da Série: A Louca Dança dos Quadrados)

(Vozes Comunicantes Nº 13. Técnica-Mista. 80X170)

COMO UM FIO-DE -PRUMO A NOITE EM CIMA DE TUDO

Como um fio-de-prumo a noite. Em cima de tudo. E por dentro, uma voz insidiosa e duradoira, o ouro breve dos momentos atravessa a escuridão com a velocidade dos sinais do Mundo. Também há o universo aceso para todos os lados, e os candelabros dos nossos pensamentos são fagulhas que no ar se cruzam e entrelaçam e enlaçam as substâncias que unem os cenários das vidas. Tudo tem um propósito errante e nenhuma voz cabe dentro de todas as línguas faladas, caladas da Terra.



27-Março-2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

S/T

(Desenho de J.A.M.- Técnica-Mista.60X80)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O BARCO PARADO

(Rio Preguiças. Maranhão. Brasil)

O ESPANTO SENTADO

Estás no meio da noite, no meio da vida e tudo o que és tem um só nome: silêncio.Por dentro e por fora, o brilho do Mundo abre os teus olhos. Eu chamo a voz adormecida nesse silêncio que outros apagam em palavras. Já fui rei e mendigo, nasci e morri muitas vezes, e agora, todo o sentido de uma vida é água a crescer para o seu mar.
Não há luar, no entanto levanto os olhos para os astros com a suspeita de uma luz desalmada em tudo.
(15-02-2007)

domingo, fevereiro 04, 2007

Acta de uma Flor num dia de Verão

(Desenho.Técnica-Mista)

OLHO DEMORADAMENTE

Olho demoradamente uma das fotos. Estás no sofá, deitada e feliz com a mão direita estendida a chamar a minha mão ausente. Os teus cabelos vermelhos ondulam com a tua alegria. O teu corpo horizontal está parado em ti, disponível. A mama visível repousa de um lado, no seu lado só seu. A tua boca está aberta ao teu sol. Nos teus olhos eu vejo-me como um xamã no último terraço do seu ser.
Serei eu essa luz por detrás do teu corpo a iluminar-te a pele? Ou, simplesmente, serei a janela aberta ao sol?

sábado, janeiro 27, 2007

INVERNO


TEOREMA CIRCULAR

Através das cores o meu lugar é branco.


Loucura extenuada pelos dedos até ao fim
ou ainda um riso decepado
pelo rigor das noites.


Subterfúgios os espelhos ampliam o mundo.


Para cada palavra uma galeria de palavras.
Em cada cor uma vocação a caminho.
A cada voz uma fronteira de música.

(in, AS MÃOS E AS MARGENS", Editora Limiar-1991)

sábado, janeiro 06, 2007

(S. Luis.Maranhão. Brasil.2006.)

sábado, dezembro 16, 2006

uma ilha

(Rochedo dos Pássaros.Cabo Verde. 2005)

quinta-feira, dezembro 14, 2006


Eu tomava banho era um peixe no mar. Alguém, lá longe, olhava-me. Tudo á-volta estava azul. E todas as cadeiras da praia eram poucas para o meu cansaço do Mundo.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

a lua e os seus dons

(DESENHO. Técnica-Mista.45X25)
J.A.M.

terça-feira, novembro 28, 2006

deserto


(Lençóis do Maranhão.Brasil.2006)

quinta-feira, novembro 23, 2006

POR UMA UNHA NEGRA

Foi um tempo obscuro, escuro, mesmo negro. Atravessei-o com a juventude espalhada pelo corpo e todos os mundos que podia a encherem-me a alma até ás marcas queimadas na pele. Por vezes, pensava que enlouquecia, e então abrigava-me nas casas do silêncio, á espera de escutar o fio tremeluzente da minha voz mais íntima. Por vezes, saía pelo mundo a fora, á procura de mais dias e mais noites, umas a seguir ás outras, como primaveras que se devoram com muitas flores vivas a saltarem pela boca, pelos olhos, pelo corpo inteiro e esburacado. Conheci, gente, pessoas, corpos habitados por alguém, outros nem por isso, cheguei a conhecer os mortos que continuam por aí, de um lado para o outro, como imagens atrapalhadas adiarem sei lá o quê. Também, confesso, cheguei a ser tocado por alguns seres humanos, que me deram minúsculas estrelas duradoiras, muitas vezes sem eu dar por isso. Ainda hoje as guardo, como pedras preciosas soltas entre os seixos das minhas margens.
Foi um tempo de procuras, em que passei por pontes e pontes e nem sequer as via, nem o rio que lá ia para o seu mar, nem os lugares de um lado e do outro, por onde gastava o meu destino, possuído pela dourada cegueira da juventude e por todos os copos de veneno que encontrava. Vi alguns amigos, caírem para dentro de uma luz que nunca mais os largou, foram assim sozinhos para tão longe e nuncanunca mais.
Após, muitas paisagens, comecei a ver que tudo á minha volta era uma imagem que se soltava de dentro de mim, onde eu não era chamado para o caso, nem propriamente ninguém, mas, no fim de contas, todos estávamos lá: pessoas, mundo, vida, animais, plantas, pedras e todos os universos que existem.
Comecei a olhar mais a luz, a luz claramente acesa, a primeira que vem de dentro das pessoas e das coisas.
Descobri um centro que não é centro nenhum, apenas me desloco despido e nu, de centro em centro, na mapa circular da minha idade. Sempre, com o deus presente de tudo á minha volta e o amor íntimo e distante por tudo o que passa por mim.

Gaia - 21-06-2006

sábado, novembro 18, 2006

lagoazulprateada



(Lagoa Azul.Maranhão. Brasil.2006.)

rio de ouro


(Rio Douro.2006)

sexta-feira, novembro 17, 2006

IMAGENS AFUNDADAS NA MEMÓRIA (15ª)

Como um navio deixa nos olhos uma sombra em movimento a memória é um cais iluminado só por cima crescem as raízes das estrelas que os dedos não tocam apesar das palavras agora falo-te assim como um navio que vai de imagem em imagem, lentíssimamente, atravessando um instante sempre atrás de outro o tempo é um gesto parado que não pára de navegar.
(in, "A Primeira Imagem".1998)
(Visões Retrospectivas)

terça-feira, novembro 07, 2006

amor


(DESENHO.Técnica-Mista.63X47)

quarta-feira, novembro 01, 2006

Há rostos que tornam as coisas mais simples


(Visões Retrospectivas)

terça-feira, outubro 31, 2006

monte cara


(Mindelo.Ilha de S.Vicente.Cabo Verde.2005)

SILÊNCIO

Um gato escuta o sol, por cima
os pássaros são sombras a voarem.

sábado, outubro 28, 2006

barcos parados na noite profunda


(Rio Preguiças.Maranhão.Brasil.2006)

(a meu pai)

Nasci a 13 de Maio, a uma sexta-feira, e o meu pai partiu para outro mundo num dia 14 de Maio. Tenho a impressão, que apesar de moribundo, aguentou aquilo para, mais uma vez, não me fazer qualquer desfeita. O meu pai era assim: sensível ás pessoas e muito atento ao seu filho. Também lhe agradeço este último gesto a selar toda uma vida de dedicação e amor, como pai, amigo e ser humano.
Ontem, ás tantas da noite, quando me tocaram á porta tão tarde, fiquei um pouco intrigado. Ia já de braço em riste para o puxador, quando vejo o meu pai já dentro de casa, com o seu ar circunspecto e um sorriso levemente matreiro de quem vê alguém com uma cara de espanto sem solução á vista.”Então Gé, como vai isso?”Falou-me no mesmo tom e com as mesmas palavras que ouvi N vezes, como quem pergunta:” Então filho, como vai essa Vida”.”Tá indo bem” disse-lhe enquanto o olhava nos olhos para confirmar o que dissera. Lembrei-me que muitas vezes, quando ele estava deste lado, eu nem sempre era mesmo sincero, embora a resposta fosse sempre a mesma, mas depois percebia que não o tinha convencido.”Entre, sente-se ali no sofá. Toma alguma coisa?”. Não, bem-hajas, agora não preciso de tomar nada, mas vamos lá até ao sofá”. Sentámo-nos lado a lado, enquanto eu o olhava de soslaio verificando que continuava com os seus gestos pousados a reflectirem um sossego interior muito raro, nos dias que correm. A conversa facilmente desembocou, como não poderia deixar de ser, para os lados da Vida e da Morte. Demorámo-nos entre frases, sorrisos e jeitos só nossos de falar das coisas que só as palavras permitem. Depois, quando o dia já se começava a misturar na sala e a realidade daquilo tudo parecia demasiado e também já sentíamos ter esgotado o que nos ia na alma, o meu pai, pôs-me uma mão no ombro e levantou-se com um ar vagamente satisfeito, “pareces cansado, não estás a precisar de ir dormir?”. “É, talvez sejam horas”, e levantei-me também dando-lhe uma palmada afectuosa nas costas. Dirigi-me para a porta e quando me voltei para nos despedirmos mesmo, eu estava ali sozinho.



Gaia - 28.29-05-2006

segunda-feira, outubro 23, 2006

paisagem árabe



(DESENHO.Técnica: Caneta Rotring s/ Papel.48X37)

FORA DO COMPASSO

Dias abundantes na boca
pelos segredos das mãos
ao rebentarem magnéticas
os nomes à-volta.
Inspira-as a cegueira de uma luz
sem fim, como que vencida
pela eternidade.
Não é carne nem é memória
esta respiração. Por ela vivemos
pendurados na pergunta
que respira pelos orifícios da pele
que sorve as queimaduras dos astros.
Talvez os deuses conheçam a intenção da água
dentro dos corpos. A água fechada
ao fazer um nó às portas dos olhos.
Estrela ou paisagem, quanta claridade
em redor dos dedos a mexerem dentro
as oficinas da Terra
os lugares abraçados pelo tacto da fala.

(in, "As Mãos e as Margens".Ed. Limiar.1991.)

domingo, outubro 22, 2006

farol


(PINTURA.Guache s/ Cartão.48X62)

O JOGO

Do jogo vêm as mãos caçadoras
a seta incerta no coração da sorte
corpo tangente com um lado intocável
e por mais que os corpos se ousem
o desafio é sempre a veia inicial. O risco.
O acaso. A ilusória aparência de um encontro
sem testemunhas evidentes.

(in, "O Triângulo de Ouro".1988)

(Visões Retrospectivas)

sábado, outubro 21, 2006

a ponte


(DESENHO.Técnica:Caneta Rotring e guache s/ Papel.38X34)

sexta-feira, outubro 20, 2006

ELIPSE PARA OS OLHOS

Em cada gesto
um ofício sem idade
dizendo os corpos em sobressalto
entre as coisas circulares do tempo.

E quem já esteve em muitos lugares
principia e acaba olhando o Mundo
pelas suas formas
e aí morre qualquer hábito
e a vastidão da Terra com sementes
há memória da Vida
e das coisas que acontecem.

(in, "O Triângulo de Ouro",1988)

quinta-feira, outubro 19, 2006



(Posoidon.Turquia.2002.)

Vi o mármore abandonado ao martelo

a música a cair em si

e depois

as formas dos deuses.

Os olhos sopravam uma luz macia.

(Visões Retrospectivas)

sábado, outubro 14, 2006

ao-pôr-do-sol


(Foto.Arte digital.2006)

AO PÔR-DO-SOL

Quando cheguei á praia era ainda o pôr-do-sol. Sentei-me a escutar os sons á-volta. Uma menina, muito silêncio e beleza sozinha, sentou-se perto de mim e sem me olhar, olhou para onde estava o meu estar. Demorámos a cruzar o olhar. E continuámos a olhar para o mar. O sol desceu até se afundar com um silêncio apenas. Continuámos a olhar. Talvez as ondas que cresciam até aos nossos pés, talvez o azul do céu que se tornava mais sonolento, talvez os silêncios de tudo em ritmos cadenciados de encontro ás almas solitários de cada um.
Depois, já os lençóis da noite eram muitos e o mundo existia com um peso maior, levantámo-nos ao mesmo tempo, sorrimos o mesmo sorriso ligado, e cada um foi devagar continuar a cumprir o seu destino.



Gaia – 26-08-2006
(São Luís.Maranhão.Brasil.2006.)

quinta-feira, outubro 12, 2006

o sono


(PINTURA. Guache s/ Cartão. 23X30 cm)

domingo, outubro 08, 2006

(Mauro, O Poeta da Ilha)

Arrastava mais um pé do que outro e eu reparei no seu ar luminoso abrir airosamente a noite. Ia a passar perto do meu lugar e eu senti que podíamos trocar alguns trocos de luz. Convidei-o a sentar-se ali, por baixo da grande árvore nocturna. Vi o seu olhar a inclinar-se para o meu copo e perguntei-lhe o que bebia. Não tardou a abrirem-se as nossas portas, uma de cada vez, e cada um no seu lugar mais íntimo.
Era um poeta e eu disse-lhe que também era um aprendiz de poeta.( Ele lembrou-se deste pormenor passado uns dias, quando à sombra de outra árvore mais diurna, voltámos a trocar meia-dúzia de luzes pessoais.)
Ele arrastava a perna quando andava, mas falava sem arrastar nenhuma das suas asas. Aí, ele crescia em voos cheios de altura e distância e ás vezes, descia um pouco, para me recitar um poema seu, que parecia ler no meu rosto. Eram sempre feitos de simplicidade e lonjura e eu ficava mais pequeno a escutá-lo, a olhá-lo com todo o orgulho do mundo, pois já éramos amigos.
Hoje, vejo-o levantar a noite da sua ilha, livre como sempre, feliz e a beber alegremente toda a escuridão que há na sua vida de poeta.



(São Luís.Maranhão.Brasil.2006.)
Gaia – 27.28-08-06

pelaestradafora

sábado, outubro 07, 2006

(Meiri)

Os lençóis negros da noite desciam, tombavam, adormeciam colados uns aos outros, como folhas que se voltam juntar.
Depois de várias voltas por N ruas da cidade pareceu-me que era por aquelas bandas que a festa começava a fervilhar. Num passeio de uma rua desamparada, encontrei um banco á minha espera e pedi mesmo ali á Sr.ª da rolote uma cerveja bem gelada. Recostei-me, costas com parede e vice-versa, e pus-me a pastar vacarosamente o olhar á volta. Havia de tudo o que era gente, jovens em grupos soltos e felizmente assim, pessoas solitárias, alguns com ar de quem procura desespiradamente libertarem-se daquilo, outros já mais ancorados, havia casais apaixonados que nem pássaros azurumbados, havia também mulheres de todas as cores, e as mais belas prendiam-me o olhar por mais tempo e depois, desapareciam pelas portas dos bares de onde soltavam canções ás molhadas, e de quando em quando muitas vezes, tudo aquilo junto dava-me sede para outra cerveja.
Por cima de mim, a escuridão salpicada de estrelas e uma clara sensação de vastidão completamente alheada.
A incerta altura, uma menina sozinha, por dentro e por fora, aproximou-se de mim, de cerveja na mão e sentou-se a meu lado. Depois continuou calada, ancorada e eu também não de cerveja na mão. Encostou a sua tristeza desarmada no meu ombro abrigada e eu comecei a falar. As minhas palavras eram peixes criados ali, para o seu mar. Sem darmos por isso, pusemos os olhos nos olhos e começámo-nos a beijar. O seu fundo sereno tinha outro olhar. E uma paixão apareceu naquele lugar. Claro que o dia nasceu sem nos avisar.



Gaia.27-05-2006
( Fortaleza.Brasil.2003.)

viajante



(Lençóis do Maranhão.Brasil.2006.)

MO(NU)MENTO DA VIDA

A varanda é branca com o sol ainda por cima e depois há o azul-cobalto do mar e ainda depois, há muitas árvores emaranhadas nos seus verdes a erguerem os olhos para a beleza de um imenso céu, que só, sei lá quanto tempo depois felizmente, acabei por cair em mim.
Aqui ao lado, as folhas das palmeiras continuam penteando a aragem que corre atrás de si corre e por vezes, alarga-se até á mesa e leva-me as folhas e as palavras e que me importa?
Na rua as pessoas passeiam-se devagar no meio do tempo. Saboreiam os encontros, param aqui e acolá, trocam poucas frases, poucos gestos, coisas simples, como um sorriso cúmplice na caminhada, já é tanto.
Um pescador idoso de boné vermelho e corpo parado, está esquecido ou estará a lembrar-se, a olharolhar o mar como se lesse um texto.
Há em tudo uma paz muito possível aproximando-se provavelmente a um sopro distraído de deus.




(Recife.Pernambuco.Brasil.2004.)



á varanda



















(São Luis. Maranhão.Brasil.2006.)

FOI ALGURES JÁ NEM ME LEMBRO

Mesmo no centro da noite: música, corpos a dançarem aluados de todo, com o brilho do sol ainda acordado na pele e os cheiros de África todos espalhados á toa.
Foi algures, já nem me lembro, e eu sentia-me muito vivo de dentro para fora, como um farol aberto ao Mundo. Tudo em mim, tinha um sentido que eu nem pensava, deixava-me atravessar pelos dons que a vida me dava. Quando a Vi, parei:
Alguém mesmo ali á minha frente, dançava no ar, com a alegria nos olhos de quem se sente livre e cheia de luz para emprestar. Era uma menina negra com aquele jeito despojado e solto de quem nada tem a perder por se sentir gente, e, meu deus, era tão bela na sua juventude lisa, pelo corpo a baixo até ás asas dos pés.
Aproximei-me, qual andarilho dançante sem eira nem beira, á procura no fundo de um lugar macio para esquecer a cabeça ao fim da noite, mas no meu jeito cativo de escolher uma flor.
Foi breve a espera dos meus braços á volta daquela cintura, as minhas mãos a espalharem as gotas muitas de suor pelas suas costas a baixo e as bocas cheias de sede ambas sem dono.
E logo a noite teve um outro sentido e todas as estrelas dos universos foram poucas para chamarem o novo dia que felizmente demorou a chegar.


Gaia – 24.25-05-2006
(Fortaleza. Brasil.2003.)

enquantohouverumaluz



















(foto.art.digital.-Gaia.2006.)