A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS EXISTE MESMO - Série: O(s) GRITO(s) Nº 10
(Texto de Alice Vieira.Escritora. in J.N.-Fev.08)
Poesia & Imagens & eteceteras
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"(...) “Existe em Portugal uma criminalidade nociva para o Estado e para a sociedade(…)”
“Andam por aí impunemente alguns a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade e não há mecanismos para lhes tocar. Alguns até ostensivamente ocupam cargos relevantes no Estado português”(...)
Esse Sr., é o Dr. Marinho e Pinto, actualmente bastonário da Ordem de Advogados. Isto é, não é o Zé Ninguém habitual que já diz estas coisas e loisas há muito tempo e de várias maneiras diferentes e depois ?
As declarações do bastonário da Ordem dos Advogados (estas acima citadas e várias outras de importância capital, que vale a pena ler) merecem-nos a nós, ao povo eternamente ludibriado pelos Sr.s que nos têm desgovernado, não só respeito pela coragem de quem as profere, como também transparentes espectativas quanto às suas repercussões.
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(Miguel D Alte no seu local de trabalho.V.N. de Cerveira-2005)
-No dia 24 de Dezembro de 2007, houve um comboio que se atravessou no caminho do Miguel e levou-o para muito, muuuito longe de nós.Entretanto ele deixou-nos uma Obra que apesar da cegueira habitual um dia destes terá o seu merecido lugar.
(Ao Pintor Miguel D Alte)
Tens um corvo pousado sobre o ombro
esquerdo o lado
das sombras translúcidas.
Atrás das cortinas dos olhos
o teu espanto olha sempre sozinho
o tempo amparado das cores.
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2:11 p.m.
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- Há um duro silêncio na pedra
enquanto escuto
o fio de vida acordada
no fundo do corpo
enquanto o mundo apaga as suas formas
e se torna pura luz levantada
por dentro, também há vozes caladas
ainda vivas por um sopro
apenas: cor, lentidão, vastidão
a enlevar levemente o coração.
(Dez.2007)
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3:22 p.m.
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Na avenida, o fim do Verão.
Esqueço o olhar suspenso nas cores
cai uma folha rasgando a imagem.
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3:53 p.m.
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O AMOR
A coisa com + leveza, que eu encontrei, até hoje, neste Mundo em que vivemos
sem sombras de dúvidas, foi efectivamente o amor.
E no entanto,
quantos pesadelos já escureceram a História, adiante, adiante
que a coisa ainda está preta, acerca deste sentimento.
Eu também já amei muitas vezes. Dizia.
Até que 1 dia destes, mais esclarecido cá por dentro de mim & sei lá porquê?
entendi mesmo, que tudo aquilo nada tinha haver com o amor.
Só há uns tempos para cá, é que me sinto habitado por essa coisa tão real –mente
muito leve, t ã o l e v e, que Re Parei há dias, por um acaso dos diabos
que nem sei explicar-vos
e então Vi que me nasceram 2 exactas asas, uma de cada lado simetricamente desiguais, claro,
a partir de um epicentro "central" das minhas costas.
- Evidentemente que os outros não as vêem, mas (cá pra nós) eu sei que elas estão mesmo lá.
José Alberto Mar
(Setembro de 2007, 2ª Versão)
-in, MINGUANTE Nº 8, "A LEVEZA"-
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9:24 p.m.
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Agora, é a pedra fria, no meio das estações
à espera do Inverno há esta escarpa em frente
as minhas costas vão até certo ponto
e depois ainda há a foz das águas do Verão
as vozes muitas que subiram a prumo
as noitadas ora agrestes ora mansas
embrulhadas entre mulheres de seda e veludo
e alguns amigos por perto das luzes mais íntimas
cheguei lá com as mãos esquecidas
e o olhar foi, mais uma vez, o primeiro a estalar
e tudo isto fecha-se agora
numa boca enlaçada pelos dias de Outono.
Um corpo cheio de sóis e todas as portas
cerradas, mais um dia e outro dia
e por aqui nunca é claro o dia completamente
aceso, para todos os lados e
pronto: valerá a pena chorar?
Gaia-5.10.07
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10:55 p.m.
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Cada religião tem ajudado a Humanidade:
O Paganismo ensinou ao ser humano a luz da beleza, da amplitude e da altura da vida, numa tendência para uma perfeição multiforme;
O Cristianismo deu-lhe uma visão da caridade e do amor divino;
O Budismo ensinou-lhe um meio nobre de ser mais sábio, mais doce, mais puro;
o Judaísmo e o Islamismo, um modo de ser religiosamente fiel na acção e zeloso na sua devoção a Deus;
O Hinduísmo abriu -lhe as mais vastas e profundas possibilidades espirituais.
Seria algo muito grande se todas essas vias de Deus pudessem abraçar-se e fundir-se umas nas outras;
Porém, os dogmas intelectuais
e
o egoísmo cultural obstruem os caminhos.
(Aurobindo )
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10:30 p.m.
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12:23 a.m.
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“Surpreender-se, estranhar, é começar a entender”.
Ortega Y Gasset (1833 – 1955)
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3:00 a.m.
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e, no entanto
há uma luz
poisada no centro
do seu silêncio de ser
só uma luz
aberta
para fora
de si.
- como se um pássaro libertasse no voo
o peso das suas asas.
-como se a memória fosse um travo antigo
no veneno estagnado dos hábitos.
-como se, algo te dissesse e fosse uma voz
derradeira no cálice mais translúcido do corpo
onde 0 rosto maduro do silêncio
te chama - em chamas - verdadeiras na cor
e tu és longe nos olhos divagados em ti.
E então, nem o ouro
nem a prata
como há-de uma vida luzir ?
28-Set.2007
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1:12 a.m.
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apagam-se as luzes devagar enquanto a tarde
ainda é grande
ao entrar no meu olhar.
Uns restos de barulho, mais algumas
sombras a mais por entre as palavras
os rostos apressados, as tiranias do vazio quase
tão oco por dentro e por fora como algo
sem vida.
São assim estes dias com as mãos
tão cheias de objectos, enquanto o corpo
desenha por dentro o seu mapa sobrevivente
e por aí se vai
ancorando
deambulando
e reclamando
o seu lugar ao sol e à sombra
precisamente a meio, na brecha
de uma rota maior.
26.27-Set-2007
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12:07 a.m.
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10:26 p.m.
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Na substância do sono. Quando os astros
são letras incendiadas no chão da memória
e apenas um poema se ergue sózinho
espalhando símbolos, despertos sinais do corpo
SEI a maravilhosa fábula do sono
o lugar mais acordado e sagrado
sobre a experiência dividida do Mundo.
(o sono tem uma atmosfera incontida
vibra e rompe em cada palavra
os sangues mais singulares das noites)
Perguntam-me se sou eterno, quando me basta
o tranquilo sono habitado por este sonho
inexplicável: a Vida.
As verdades intuidas vagabundas e por detrás
as cortinas transparentes só de um lado.
Não me tragam mais milagres
porque o único milagre, é sermos e não sermos
nocturnos a cada momento
como se o mundo dormisse na promessa
de um sono completo e fugaz
e nós inocentes faroleiros
dessa escuridão
vinda de nós.
Na embriaguês dos sonos, olho longamente
o mar profundo das minhas buscas.
O rosto transformado pela água quase pura
transformando a água num vinho
precioso, transbordante.
Extraordinário sentir-me unido por metades
em esfera: O Sol, a Água, a Terra e o Ar sobrenatural
nos infindáveis espaços comunicantes.
Todas as faces do sono fendidas
nos acordados eixos da criação.
( in, "O TRIÂNGULO DE OURO". Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.1988)
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1:09 p.m.
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e então, abriram-se estas portas: e ela voltou com os seus pés de lã, mansos pés que a minha memória há-de esquecer, pois tanto silêncio vive à custa de memórias. E quanto a máscaras, sou redundante:
nada como a claridade aberta, se possível, em leque semi-redondo, para que eu veja a aragem que passa, enquanto só uma mão pestaneja o ar.
(Set.2007)
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1:40 a.m.
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"(...)
De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal pousa agora pedalar. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
(...)"
-in, "POESIA TODA", Herberto Helder, pág. 478 -
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1:27 a.m.
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(10 H. - 27-08-2007)
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